
DIÁRIO DE UM FUMANTE ABANDONANDO O CIGARRO!
Post 1 - Fiquei curioso, não encontrei relatos sobre algum dependente que registrou sua trajetória de vitória ou derrota em relação ao vício. Já parei por diversas vezes e por diversos motivos, na sua maioria, por fraqueza, acabei cedendo novamente. Mas o cigarro é uma merda, vivo lutando para abolir meu único vício remanescente da adolescência. Mas confesso que essa não será mais uma tarefa fácil para um fumante de 30 anos e que fuma há 15 anos Marlboro vermelho. E já passei por uma época em que devorava até 3 longos maços por dia.
Post 2 - Antes de apelar para uma nova e esperançosa expectativa em abandonar o cigarro, comecei a sentir algumas coisas estranhas que me fizeram pensar seriamente sobre parar ou não. Primeiro que comecei a sentir refluxos no coração por dias consecutivos. Acordava apavorado, como se tivesse tido um pesadelo e depois meu coração continuava acelerado por algum tempo. Pensei muito em minha filhota que não completou nem um aninho ainda e que ela precisará de mim pelo menos pelos próximos 25 anos para educá-la e aproveitar com ela essa paternidade com a qual fui presenteado.
Post 3 – Um dia antes de tomar a decisão de parar de fumar novamente, comecei a tossir muito. Uma tosse seca, quase acompanhada de vômito, e olhos que lacrimejavam sem parar.Meu peito já estava chiando muito e minha disposição para qualquer afazer era bem menor do que o habitual. Cansaço excessivo e uma ressaca imensa após noitadas em bares e baladas. Sempre disse: nada é pior do que a ressaca do cigarro.O ponta pé foram meus pais mais uma vez que insistentemente pediram e me mostraram que o cigarro estava me fazendo muito mal. Daí, com as tosses noturnas, acordei sabendo que seria o meu primeiro dia sem o prazer e a companhia do meu cigarro...
Post 4 – Dizem que os 15 primeiros dias são duros pra quem está parando de fumar,mas os primeiros sempre foram dificílimos. Neste primeiro dia pensei e desejei o cigarro a todo instante. Acostumado a acordar fumando e ligando o computador para trabalhar, já não foi fácil sentir a ausência dele ali comigo. Café da manhã e preferi não evitá-lo, pois gosto de café de qualquer forma. Mas foi doído esse primeiro café. Antes mesmo de terminá-lo já procurava pelo meu maço de cigarros. A cada alimentação que fazia, o que aumenta naturalmente por causa da ansiedade, sentia um desespero maior vir à tona, mas estava disposto. Muita água, água e escovações de dentes após as refeições, para diminuir a vontade (e funciona). Balinhas, chicletes, muito pouco, raro. Quando a noite caiu, a insônia bateu. Acordei desesperado logo depois de ter adormecido e tive que tomar um ansiolítico para relaxar... Mas acabei dormindo às 6 da manhã. Foi um primeiro dia de cão como acontece com qualquer um...
Post 5 – Meu segundo dia estava praticamente dopado, pois ganhei uma virose de presente e com isso a vontade de fumar reduziu significativamente, pois nem forças tinha por causa das tosses e mal estar causado pela gripe e febre. Foi um dia tranquilo... Vontade mesmo depois das refeições e à noite, mas comedida. E tomei remédio para me fazer dormir tranquilamente.
Post 6 – O terceiro dia foi barra!! Acordei querendo fumar, tomei café e desejei o cigarro, e confesso que teve uma hora do dia, mais à noitezinha, que se tivesse cigarro ao meu redor, fumaria sentindo aquele prazer novamente. Mas fui firme. Foquei em algo. Estabeleci metas, que quero voltar a me exercitar, me sentir mental e fisicamente melhor e até ganhar peso... Não muito. Foi o pior dos primeiros dias. Mesmo ainda gripado, desejei e muito fumar por aquele dia. Já comecei a me sentir nervoso,mas conseguindo controlar os meus impulsos. Mas a noite caiu e eu venci mais um dia.
Post 7 – O quarto dia também foi tranqüilo. Tive febre alta o dia todo, só fiquei de cama e nem sequer lembrei do cigarro. Somente depois do cafezinho e da noite solitária que passei acordado por ter ficado muito de cama antes.
Post 8 – Dia dos nervos, diria eu. A raiva veio à tona, uma ligeira depressão e vontade de arrancar os cabelos também nesse quinto dia. Senti falta de ar e minha ansiedade subiu para 7. Continuei a base de água para aliviar a vontade de fumar e tive que tomar metade de um ansiolítico às 19:30 pra me acalmar. O dia que pareceu não ter fim... Comi muito. Voltei-me para os chocolates. Não podia comer algo salgado se não comesse chocolate logo em seguida. O dia pareceu difícil, mas a noite foi muito mais longa. Lembro-me de olhar no relógio e ver que eram 04:25 e eu ainda acordado, morrendo de vontade de fumar e esperando o sono enfim me derrubar.
Post 9 – Acordei com dor de cabeça nesse sexto dia, mas por causa da sinusite, nada a ver com a falta do cigarro. Não notei nenhuma euforia por minha parte, como no dia anterior, por exemplo. Eram quase 6 da tarde e pra não deixar que a tentativa de abandono de um vício influenciasse em outros hábitos e alimentações prediletas, tomei meu café puro na parte da tarde (claro, temendo uma recaída), mas não tive nenhuma vontade que me descontrolasse. E consegui dormir mais cedo, por volta de uma da manhã.
Post 10 – Como estava costumado a dormir muito tarde, desta vez como foi contrário, acabei acordando cedo, digo, bem cedo, às 5:30 da manhã. Mas sem problema algum. Acordei disposto e preparei um café forte pra dar ânimo. Mas logo depois do café me deu uma vontade considerável de fumar, foi preciso dar uma dispersada, levei minha cachorra pra dar uma volta pra não cair em tentação e ficar pensante. Antes das sete já estava no computador escrevendo. Mas um bom banho antes das oito foi fundamental para começar o dia com o pé direito e pensando em ficar cada dia mais distante do cigarro. A vontade vem, você deseja o cigarro quimicamente falando e também socialmente, como companhia... Mas o objetivo maior que me “regeu” foi a vontade de sentir meu corpo e minha mente libertos. Ser Ser saudável e não me preocupar com doenças tão novo. Esse era meu pensamento no meu sétimo dia, uma semana sem o cigarro. À noite, por volta de sete horas fiquei bastante nervoso, sem paciência e com uma ansiedade aguçada. Entrei nos chocolates, mas dessa vez não foi suficiente pra conter minha vontade de fumar, então recorri a água, muita água pra me acalmar e me restabelecer. Putz, por volta de 9 e meia da noite estava explodindo de nervos! Queria fumar de tudo que era jeito. Vontade de xingar, bater, quebrar... rs. Parece brincadeira , mas não é. Chega a doer o maxilar...
Post 11 - Infelizmente no 13º dia, depois de sair do estúdio em Ribeirão, muito nervoso e ansioso com um projeto em andamento, sai pra dar uma relaxada na praça. Conversar um pouco e distrair... Para o meu desespero vi uma mulher linda, dar um longo trago solitário em um cigarro que me pareceu até adocicado, pela expressão que ela fez. Neste momento fiquei cego, surdo e mudo. Cedi à vontade avassaladora e repentina de comprar um cigarro e fazer igualmente a ela. Foi o que eu fiz, e acabei cedendo novamente ao vício. O que me anima em dias atuais é a lei anti-fumo. Sinto-me incomodado em lugares públicos e até mesmo em casa. Sinto-me com vergonha de ser um fumante e a vontade de parar não cessa. Portanto, logo logo acordarei disposto a abandoná-lo novamente.
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